«We shall walk»

As eleições acabaram, novos órgãos foram eleitos. Os resultados estão aqui. Assunto encerrado.

2 comentários:

António Barbosa disse...

Compreendo a necessidade de respeitar de uma forma democrática a vontade da maioria dos Advogados o que é diferente de abdicar de sufragar um cargo de responsabilidade e essa análise faz-se diariamente não deixando de ser legitima pelo facto da vontade eleitoral da maioria ser outra.
A questão em relação a quem assume cargos de responsabilidade seja na politica seja na Ordem dos Advogados é que quanto mais poder se tem ou quanto mais tempo se exerce esse poder maior tenderá a ser o grau de responsabilização futura por actos praticados nesses cargos, não sei se daqui a uns 20, 25 anos uma determinada geração que tirou cursos superiores e agora anda de call center em call center ou de empresa de trabalho temporário em empresa de trabalho temporário não vai proceder ela mesma ao julgamento de outra geração que se julgou no Direito de cortar com os sonhos...esse julgamento provavelmente acontecerá e terá sempre como referência as responsabilidades assumidas, é uma questão de ter memória e é importante ter memória.

Porque nunca é demais recordar que por detrás de um objectivo louvável de proteger Direitos, Liberdades e garantias numa profissão que é especial e deve ser assumida como especial porque toca com o mais essencial que temos e deve ser exercida com a maior das competências existe também um interesse corporativo óbvio e infeliz...remeto para casos como os médicos em que barraram violentamente e injustamente gente cheia de valor que ficava á porta de cursos com média de 18 valores e depois uns anos dmais tarde não havia hospital Português que não tivesse médicos espanhois contratados por falta de médicos.

A questão que ninguêm liga ou responde é esta : e as vidas das pessoas a quem cortaram as pernas ? seja na Advocacia seja na medicina ? a utilidade delas para o Pais é um Call center ?

Por isso...é bom asumir cargos mas isso poderá também significar responsabilização futura por actos praticados no âmbito desses cargos, uns como a Dra Nicolina Cabrita fazem-no porque acreditam sinceramente que a Advocacia é tão digna e tão nobre que apenas os mais aptos a devem exercer (não discordo porque das piores coisas que pode haver é um mau Advogado) a essas pessoas não há que pedir contas nenhumas...o mesmo não se aplica a outras pesosoas como é o caso do actual bastonário, a esses uma geração com memória se tiver oportunidade vai dar de volta aquilo que recebeu e que...sofreu...

cumprimentos

António Barbosa

Nicolina Cabrita disse...

«A questão que ninguêm liga ou responde é esta : e as vidas das pessoas a quem cortaram as pernas ? seja na Advocacia seja na medicina ? a utilidade delas para o Pais é um Call center ?»

Eu recuso-me a fazer parte desse colectivo que, pior que não ligar, não quer saber, e por isso respondo-lhe: não é, não pode ser. E bater-me-ei por isso até ao fim, desde logo por respeito pela estagiária que fui, e que nunca deixarei de ser.
Sempre entendi que exercer a Advocacia (tal como a Medicina) é exercer um ofício. E os ofícios, por exigirem uma aprendizagem longa e morosa, necessária para se dominar a respectiva «arte», não sobrevivem se não existir solidariedade entre gerações. É esta solidariedade que está a ser posta em causa por decisões recentes. Recuso-me a aceitar esta mentalidade de luta de classes que grassa por aí e que, inevitavelmente, empurrará os estagiários cada vez mais para a condição de «operariado», com mentalidade de operariado, ainda que especializado.
Permitir esta situação é pactuar com aqueles que querem ver a profissão morrer e eu recusar-me-ei a fazê-lo, até ao fim. Tem a minha palavra de honra em como vai ser assim.
Abraço amigo
Nicolina Cabrita