Dissonâncias

"Portugal teria perdido riqueza sem imigrantes" e "se não fosse a chegada a Espanha de mais de três milhões de imigrantes nos últimos dez anos, a economia deste país poderia ter entrado em recessão", são os títulos das notícias que encontrei aqui e aqui .

Noutro lado encontrei a notícia da preocupação do governo espanhol em obter a ajuda dos restantes membros da UE para conter a imigração ilegal, face ao elevado número de clandestinos que, durante este mês de Agosto, chegaram às Canárias (cfr. aqui).

Se a informação fosse música diria que aqui está uma peça assaz dissonante...

Mas não foi a única.

A propósito da escolha do novo Procurador Geral da República, e de uma notícia da Lusa, segundo a qual o governo preferiria, para esse lugar, por ordem decrescente de prioridade, um magistrado do MP, um juiz e, finalmente, uma "personalidade do meio jurídico", manifestaram-se os "operadores judiciários".

Os representantes dos sindicados dos magistrados declararam não ter ficado surpreendidos com esta posição do governo ( cfr. aqui e aqui). Já a Ordem dos Advogados terá ficado perplexa (cfr. aqui).

No que respeita à política de imigração, e por desconhecimento da matéria, limito-me a registar a "dissonância" e mais não sou capaz de fazer.

Mas no que respeita à escolha do PGR, e face à posição da OA, atrevo-me a desejar que o sucessor do Dr. Souto Moura não tenha um ouvido sensível...

3 comentários:

Anónimo disse...

Esta noticia foi desmentida pelo proprio Governo.Não terá assim razão de ser a perplexidade?!?!Por vezes é preciso perceber para além da cortina...

omega disse...

Caro/a anónima
Importa-se de deixar o link para o desmentido do Governo ou dizer-me onde o posso encontrar? É de facto importante levantar a cortina.

NC disse...

Desmentido do Governo, veiculado pelo porta voz do Conselho de Ministros, não encontrei.

O que a imprensa refere (cfr., por ex. a notícia do Correio da Manhã, que encontra através do primeiro link) é que a notícia "apanhou de surpresa" o Ministro Costa e o respectivo Ministério, o que não é bem a mesma coisa...
Aqui deixo o link para a notícia mais recente que encontrei sobre esta matéria:
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1268809&idCanal=12

De qualquer forma, e ao contrário do Caro Anónimo, continuo a achar que não está em causa saber se a posição da OA, veiculada pelo seu Bastonário, é ou não a "politicamente correcta". Isso cabe ao Ministro.
A preocupação da Ordem deve ser assumir a posição que melhor defenda os interesses da profissão. É isso que lhe cabe.